Blackstone faz aposta em energia renovável

Fonte: Valor Econômico
09/10/2018

O Blackstone, maior grupo do mundo especializado em aquisições de empresas, está criando uma firma independente para investir “centenas de milhões de dólares” em ativos de energia renovável no Oriente Médio e África Setentrional, segundo fontes a par dos planos. A nova empresa, chamada Zarou, nome de uma antiga ponte sobre o rio Nilo construída para conectar Ásia e África, almeja aproveitar a demanda cada vez maior por eletricidade na região, comprando e desenvolvendo operações de geração de energia termelétrica e de fontes renováveis.
O valor de empresa desses projetos a ser comprados, indicador que inclui o endividamento líquido, poderia ser de bilhões de dólares, segundo as fontes. “Há apetite de sobra.” A Zarou vai investir também em ativos de petróleo e gás e de infraestrutura de água.
O crescimento econômico da região, combinado ao imenso aumento populacional, vem aumentando a demanda por eletricidade e nova infraestrutura para produzi-la. Os países no Oriente Médio e norte da África historicamente costumam depender dos hidrocarbonetos para atender suas necessidades energéticas – seja importando combustíveis fósseis ou usando recursos domésticos. Agora, no entanto, se interessam cada vez mais por fontes de energia renováveis.
A entrada do Blackstone chega em meio ao crescente número de participantes privados envolvidos no setor de energia renovável, tanto no desenvolvimento e instalação quanto na produção.
Nos últimos anos Egito e Jordânia introduziram políticas para atrair o setor privado em tempos de oferta insuficiente de eletricidade. O Marrocos, por sua vez, tem uma das metas mais ambiciosas do mundo na área de energia limpa. Planeja gerar mais da metade de sua eletricidade a partir de fontes renováveis até 2030.
A Masdar, dos Emirados Árabes Unidos, e a ACWA Power, da Arábia Saudita, se tornaram grandes empresas de projetos de energia renovável. O grupo Blackstone, que desde 2014 vem avaliando oportunidades nessa área, pretende investir em países como o Egito, Jordânia e Marrocos.
A Zarou vai ser liderada por Sameh Shenouda, ex-chefe de investimentos em renda variável na área de infraestrutura no CDC Group, uma instituição britânica de financiamento de projetos no setor.
“Acreditamos que podemos encontrar vários projetos para participar. Há oportunidades e os riscos políticos e macro [econômicos] parecem administráveis”, disse uma das fontes.
O Blackstone, por meio da Zarou, pretende ficar com os ativos que comprar por cerca de cinco anos, mas também vai ter flexibilidade para mantê-los por mais tempo. O projeto vai ser supervisionado por Mustafa Siddiqui, diretor sênior de gestão do Blackstone em Londres, que tem estado por trás da estratégia de investimentos do grupo de private equity no Oriente Médio.
Esta não é a primeira vez em que o Blackstone cria um veículo voltado a buscar transações na área de energia. Em 2013, lançou o Fisterra Energy para financiar aquisições na América Latina e Europa. Anúncio oficial sobre o tema poderia ser feito a partir de ontem.