Cemig diz que vai reavaliar sua estratégia na Light

Fonte: Valor Econômico
17/05/2017

A oferta subsequente de ações da Light não foi cancelada, mas suspensa até que a Cemig, controladora da companhia, reavalie sua estratégia futura quanto à participação na empresa carioca.
“A oferta foi paralisada para que possamos definir estrategicamente qual nosso caminho na participação na Light”, disse ontem Adézio de Lima, diretor financeiro e de relações com investidores da Cemig, durante teleconferência dos resultados do primeiro trimestre.
Segundo o diretor financeiro, a Cemig tem a aprovação para fazer a oferta subsequente, mas o tamanho vai depender de alguns fatores ainda não definidos. A estatal mineira ainda precisa bater o martelo sobre a proporção entre oferta secundária e primária das ações da Light.
A oferta faz parte do programa de venda de ativos da companhia, que tem a finalidade de reduzir o seu nível de endividamento.
A operação oferece, ainda, uma saída para a Cemig em relação à opção de venda exercida pelo grupo de bancos – BTG Pactual, Banco do Brasil, Santander e Votorantim – na Light.
Inicialmente, o plano da estatal mineira era diluir sua participação na Light no aumento de capital, evitando estatizar a companhia com a compra da parcela dos bancos.
Para assegurar o controle minoritário – o suficiente para ditar os rumos da Light, mas não para estatizá-la formalmente -, foi proposta também uma alteração estatutária, com a inclusão de uma pílula de veneno (ou “poison pill”) determinando que qualquer novo acionista que alcance fatia de 25% das ações tenha que fazer uma oferta pela participação dos demais.
A ideia era a Cemig permanecer com uma fatia superior a barreira dos 25%, com o controle da companhia. A assembleia que iria deliberar sobre a proposta foi cancelada por falta de quórum, depois que a própria Cemig não compareceu, por haver divergências quanto ao plano proposto.
Enquanto a Cemig avalia a estratégia no controle da Light, a companhia carioca segue se esforçando para reduzir seu endividamento. A empresa encerrou março com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 3,5 vezes, ante 3,72 vezes no fim de dezembro de 2016.
Em teleconferência realizada ontem, a presidente da Light, Ana Marta Horta Veloso, disse que espera condições melhores para a rolagem da dívida da companhia, diante da melhoria dos ratings da empresa. A dívida líquida da empresa no fim de março era de R$ 6,413 bilhões.
“Esperamos a melhoria nos resultados para equacionar a dívida remanescente. Tivemos um ‘upgrade’ [melhoria] do rating e outras agências de risco estão revisando o rating da Light”, afirmou Ana Marta, em referência à Moody’s. A agência revisou a classificação da companhia, em escala nacional, para Baa1.br, com perspectiva positiva.
Ana Marta disse também que a companhia segue aberta a “propostas para otimização” do seu portfólio de ativos e que tem mantido negociações para desinvestimentos “em estágios diferentes de maturação”.
A executiva citou como exemplo o contrato assinado com a AES Tietê, para a venda de sua participação no complexo eólico Alto Sertão II, da Renova Energia pelo valor de R$ 600 milhões. A Renova é controlada pela Cemig.