Cemig negocia com investidores canadenses parceria em leilão

Fonte: Valor Econômico
18/05/2017

A estatal elétrica mineira Cemig está determinada a recuperar a concessão das quatro hidrelétricas cujos contratos venceram e serão relicitadas no segundo semestre. O Valor apurou que a companhia está negociando com investidores canadenses a possibilidade de formação de consórcio para disputar a concessão das quatro usinas.
Segundo uma fonte próxima do assunto, a empresa com a qual a Cemig discute a possibilidade de parceria pode ser o Ontario Teachers Pension Plan, fundo de pensão dos professores de Ontário e um dos maiores fundos do tipo do Canadá. Procurada, a Cemig não se manifestou até o fechamento desta edição.
O objetivo da Cemig, de acordo com outra fonte, é encontrar um sócio com recursos para fazer as propostas financeiras no leilão, já que a companhia está com alto nível de endividamento. A estatal mineira teria como vantagem a oferecer ao sócio o seu conhecimento técnico sobre a operação das usinas. Ainda não está definido qual seria a participação de cada empresa no consórcio.
Leilão está sendo preparado para dia 20 ou 22 de setembro, disse Romeu Rufino, diretor-geral da Aneel
A expectativa do governo, de acordo com despacho do presidente Michel Temer publicado ontem no Diário Oficial da União sobre o assunto, é arrecadar pelo menos R$ 11,05 bilhões com bônus de outorga das quatro usinas. Pelo texto, o valor mínimo da bonificação pela outorga da usina de São Simão foi estabelecido em R$ 6,74 bilhões; o de Jaguara vale R$ 1,91 bilhão; Miranda ficou em R$ 1,11 bilhão; e Volta Grande por R$ 1,29 bilhão.
“O governo tem pressa por conta da necessidade de poder receber recursos ainda este ano. Isso já está previsto no orçamento. Vamos seguir com o processo do leilão das usinas. Queremos ver se realizamos [o leilão] em setembro, mas o certo é que será no segundo semestre e o pagamento no segundo semestre”, disse o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, após participar do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico (Enase), principal evento do calendário do mercado de energia elétrica, no Rio.
Segundo o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, o edital do leilão de relicitação das quatro hidrelétricas que eram da Cemig deverá ser colocado em audiência pública já no fim desta semana. A autarquia convocou reunião extraordinária da diretoria para hoje, a fim de discutir o edital e coloca-lo em audiência pública.
Rufino explicou que, se a audiência começar nesta semana, será possível ter um edital no fim de junho, com alguns meses de antecedência antes do certame. “O leilão está sendo preparado para dia 20 ou 22 de setembro, então teremos antecedência suficiente para realização”, disse o diretor, que também participou do evento no Rio.
Ainda com relação à Cemig, na terça-feira, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Adézio lima, afirmou que a empresa pretende mesmo disputar a concessão das quatro usinas no leilão. Durante teleconferência com analistas e investidores, o executivo disse que a estatal está negociando com empresas privadas uma parceria no leilão, mas não revelou os nomes nem a procedência das companhias.
A disposição da Cemig em recuperar a concessão das quatro usinas difere da estratégia da Eletrobras com relação a seus ativos. Nesta semana, o ministro Coelho Filho afirmou que a estatal pretende se desfazer de suas participações nas hidrelétricas de Belo Monte, no rio Xingu (PA), e Santo Antônio e Jirau, ambas no rio Madeira (RO).
A venda de participação minoritária em sociedades de propósito específico (SPEs), como é o caso das três usinas, é um dos modelos de desinvestimento da Eletrobras, que planeja levantar R$ 4,6 bilhões com venda de ativos em 2017.
No caso das três hidrelétricas, a estratégia da Eletrobras é exercer cláusula de tag along nos casos em que os acionistas controladores negociarem a venda de suas participações acionárias para outras companhias.
O caso da usina de Santo Antônio é o mais avançado nesse sentido. Conforme o Valor apurou, os acionistas controladores do empreendimento estão em negociação de venda da participação para uma companhia chinesa e a Eletrobras tem interesse em exercer o tag along. No caso de Belo Monte, os controladores da Norte Energia buscam compradores para sua participação. Já em jirau não há informações sobre negociações de venda de participações.
Ainda no Enase, ontem, o ministro Coelho Filho afirmou que o governo estuda a possibilidade de fazer um leilão de energia de reserva este ano. Segundo ele, porém, “algumas premissas precisam ser confirmadas”. Ele também reafirmou que o governo quer priorizar as fontes renováveis na expansão da oferta do sistema.
A realização de novos leilões foi o principal questionamento feito durante o evento. O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Augusto Barroso, e o secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa, reforçaram que a equipe energética do governo está trabalhando para fazer leilões este ano.
Eles destacaram, porém, que deverá ser feito um leilão de energia existente antes de um leilão de energia nova.