Engie tem dúvidas sobre sucesso dos leilões de dezembro

Fonte: Valor Econômico
11/08/2017

A Engie Brasil Energia (antiga Tractebel Energia), maior geradora privada do país, planeja participar dos leilões de energia nova “A-4″ e “A-6″, com início de fornecimento de energia em quatro e seis anos, respectivamente, previstos para dezembro. A companhia, contudo, ainda tem receio de não haver demanda suficiente por parte das distribuidoras para a realização dos dois certames neste ano.
“Temos no nosso portfólio projetos eólicos e solares aptos a participarem e podemos ainda tentar agilizar alguns projetos de geração térmica, de biomassa e gás natural, que temos em diferentes fases de desenvolvimento. Entretanto, temos dúvidas se a demanda efetiva a ser declarada pelas distribuidoras será suficiente para a realização desses leilões ainda em 2017″, afirmou o presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, ao Valor. “Além disso, o fato de estar prevista a contratação de hidrelétricas é interessante, pois hidrelétricas seguem em nossa estratégia.”
O executivo afirmou que o anúncio dos dois leilões, é positivo, porque sinaliza a perspectiva para a implantação de diversos projetos de geração em desenvolvimento, mas disse ser fundamental o anúncio dos leilões para contratação de energia existente, “os quais, acreditamos, devam acontecer antes dos leilões de energia nova”. Segundo ele, esse é o “sequenciamento natural” para os eventos, pois preserva o valor dos ativos existentes sem onerar desnecessariamente os consumidores.
Sattamini disse que a decisão de modificar os leilões, de A-3 para A-4 e de A-5 para A-6, ampliando na prática em um ano o prazo para a implantação dos projetos, foi uma medida correta. “Ao longo dos últimos anos, fomos submetidos a um modelo de contratação em que os leilões eram anunciados no fim de cada ano, o que acabava, na prática, transformando um leilão com entrega da energia a três anos à frente em apenas dois anos”.
O executivo afirmou ser positivo a possibilidade de contratação de termelétricas a carvão no leilão A-6. A companhia não tem planos de investir nessa fonte, mas entende que essa medida cria oportunidade para a implantação da segunda etapa do complexo termelétrico a carvão de Pampa Sul (RS), que a Engie colocou à venda.