Governo descarta, neste momento, um aumento de capital na Eletrobras

Fonte: Valor Econômico
17/05/2017

O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, descartou uma nova capitalização do governo na Eletrobras, neste momento. Ele destacou que a estatal ainda tem “deveres de casa” a fazer para gerar caixa, como cortar custos e vender ativos, e que a companhia pode incluir inclusive as hidrelétricas Belo Monte, Jirau e Santo Antônio em seus desinvestimentos.
“As SPEs [sociedades de propósito específico onde a Eletrobras e suas controladas têm participação] são todas passíveis de análise para desinvestimento, entre elas as três mais emblemáticas: Santo Antônio, Jirau e Belo Monte”, disse.
Ele explicou que, dentre todos esses ativos, o caso mais concreto hoje é o de Santo Antônio, já que a Odebrecht, sócia da Eletrobras no projeto, está negociando com os chineses a venda de suas respectiva fatia na hidrelétrica.
“Vamos vender Belo Monte? É possível. No caso de Santo Antônio já há um tag along [extensão de uma oferta a acionistas minoritários] que está sendo negociado. Se for interessante, podemos exercer ou não a opção de fazermos a nossa venda [da participação da Eletrobras no projeto]”, complementou o ministro, durante evento promovido pelo jornal “O Globo”.
Coelho Filho disse, ainda, que os desinvestimentos da Eletrobras serão usados para melhorar o perfil da dívida da companhia. E afirmou que o governo não vê hoje a capitalização da Eletrobras como “solução”, por “solidariedade” à crise fiscal dá União.
“Para fazer frente as nossas necessidades, antes de estarmos demandando esforço do governo, estamos [a Eletrobras] fazendo nossos dever de casa. Se precisarmos, vamos mostrar todo o esforço que já foi feito, e dizer que estamos [a Eletrobras] precisando de ajuda [apoio financeiro do governo]. Mas tem muita coisa a ser feita internamente ainda”, comentou.
Ele disse também que o Conselho de Política Energética (CNPE) deve analisar em junho uma proposta para criação de uma SPE, para a usina nuclear Angra 3. O objetivo é atrair um sócio privado para investir na conclusão da unidade, que demandará entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões em investimentos, em cinco anos de trabalho.